Como educar o seu filho para o uso seguro das tecnologias digitais?

A campanha da Internet Segura do ano de 2015 tem o seguinte lema: Vamos construir uma internet melhor juntos! Com esse intuito, o foco da campanha deste ano são os pais e como eles educam os seus filhos para o uso seguro, ético e responsável das tecnologias da informação e da comunicação (TICs). De acordo com pesquisas nacionais e internacionais, um dos maiores riscos online enfrentados por crianças e adolescentes se dá quando os seus pais não são incluídos digitalmente ou não usam a internet no seu cotidiano. Pesquisas brasileiras apontam que é comum ver, no país, altos percentuais de crianças com menos de 10 anos que aprendem a usar a internet sozinhas sem nenhuma mediação parental ou de outro adulto de confiança, como um educador na escola, por exemplo. Isso é algo preocupante, pois vemos muitos pais fazendo verdadeiros sacrifícios econômicos para dar um laptop ou smartphone e pagar a internet de banda larga para que o seu filho tenha um futuro melhor, mas que, por outro lado, cometem o erro comum de não se incluírem digitalmente para auxiliá-los e preveni-los dos perigos mais comuns enfrentados pelos jovens no uso da internet no momento presente.

Para orientar melhor sobre riscos na rede mundial de computadores, é necessário que os pais também procurem se educar e aperfeiçoar no uso dessas ferramentas tecnológicas no seu cotidiano e mostrem interesse pelos ambientes virtuais que seus filhos utilizam ou pelo que fazem na web, pois como se pode opinar com mais propriedade sobre um universo que não se conhece? Além disso, como a indústria da tecnologia é veloz e cria, a cada dia, novos aplicativos, softwares e ambientes virtuais para as crianças, é comum vermos os pais perdidos diante de tantas novidades, sem saber se devem ceder à pressão que os filhos fazem para ter um smartphone ou se é melhor dar o aparelho quando eles estiverem um pouco mais velhos e mais responsáveis. Esta é uma decisão familiar em que não há certo nem errado, mas se for possível postergar até quando o jovem mostrar ser responsável, melhor. É necessário que os pais procurem ficar sempre atualizados e, para isso,  uma das melhores formas é procurar ler sites especializados em vida digital, dialogar com a escola e ler livros  especializados no assunto.

Outro aspecto importante é a necessidade de usar filtros e software de parental control, principalmente na educação da criança, quando esta é pequena, e selecionar os sites que ela pode usar como forma de prevenir que ela acesse conteúdos inapropriados. Mas os filtros e softwares de parental control só servem para auxiliar no diálogo sobre vida digital em casa, pois assim você sabe o que o seu filho faz na rede e poderá orientá-lo melhor sobre como usar essa tecnologia de forma responsável. Sem contar que o uso de softwares de monitoramento não é 100% eficiente e não serve para substituir o diálogo sobre vida digital em casa. Portanto, tenha conversas francas com seus filhos e estabeleça regras e limites quando necessário.

E, mesmo que seu filho saiba mais sobre o uso da internet do que você e haja, nesse aspecto, uma inversão de hierarquia, no que se refere ao uso ético e responsável das TICs e ao tipo de conteúdo que se deve compartilhar publicamente na rede normalmente os pais têm uma melhor noção do que os jovens, por terem mais experiência e sabedoria de vida. As regras no uso da internet variam de uma família para outra e para cada filho, pois um pode ser mais responsável do que o outro e causar menos preocupação. Assim, quando o filho mostra um comportamento responsável, você pode ir dando, aos poucos, mais liberdade. Já quando o filho apresenta um comportamento de risco online é necessário estabelecer regras mais rígidas para protegê-lo, impor limites e dialogar sempre. É também importante que os pais criem regras flexíveis no uso das tecnologias digitais em casa, e apliquem sanções quando necessário.

Enfim, do mesmo modo que devem educar pelo diálogo, os pais devem educar pelo exemplo. Dessa forma, é crucial que os pais evitem usar o smartphone na hora das refeições ou mandar uma mensagem de texto no celular enquanto dirigem. É também interessante que os pais sejam amigos do filho nas redes sociais mas evitem persegui-los na web, ou colocar comentários muito pessoais no perfil do filho nas redes sociais, pois isso pode constrangê-los diante dos pares. Assim, independentemente da idade, nunca é tarde para aprender coisas novas na internet.

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Sobre Ana Maria albuquerque

Ana Maria albuquerque

Sou Ana Maria Albuquerque Lima, psicóloga escolar especializada em vida digital e mestre em educação e curículo pela PUC São Paulo. Presta serviços de consultoria em prevenção aos riscos online. Realiza palestras e oficinas sobre prevenção ao bullying, uso compulsivo das tecnologias digitais, sexting e uso seguro das tecnologias digitais nas escolas. Autora do livro Cyberbullying e outros riscos na internet: despertando a atenção de pais e professores, publicado em 2011 pela editora Wak.